Às vezes eu gosto de sair por aí olhar aquilo que não vejo, mesmo vendo todos os dias
Passear nas ruas e sentir o ar puro deslizar sobre meu rosto...
Observar as estampas coloridas nas propagandas dos outdoors
Pensar naquilo que é indispensável pensar, mas que não faço por medo de mim mesma...
Esquecer um pouco de todas as intempéries que assolam o palpitar de meu ser
Deitar diante de meus sonhos e ter em fragmentos de pensamentos o domínio sobre todos os meus tesouros...
Tornar-me rainha e prisioneira de meus anseios
E no castelo andar sozinha, sem nenhum barulho, sem nenhum suspirar, sem nenhum rastro, sem nenhum...
E mais tarde voltar, mas voltar não sei pra onde!
Ouvir os olhares sorridentes daqueles que passam por mim de forma tão despercebida...
Sentir a voz sorrateira e sábia daqueles amigos velhinhos que sentam na cadeira da frente...
E até mesmo me alegrar com aquela senhora que reclama do atraso, dos buracos, do balançar do ônibus
Me reencontrar no meu jardim, tocar no exalar das flores...
E discretamente sorri da minha alegria infantil em sentir prazer nas coisas mais singelas da vida!
F. Lago
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